Bom, a notícia não é muito nova, mas coloco ela aqui pois acho importante não só nós, biólogos, como todas as pessoas, tentarem olhar a ciência e a religião separadamente. Principalmente quem tem o poder de legislar.
Na minha opinião, as pesquisas com células tronco embrionárias devem ser feitas com cautela e ninguém pode obrigar uma pessoa a doar suas células. De qualquer forma, vejam a argumentação do procurador-geral da república contra o uso de células-tronco.
“A pesquisa científica sobre o uso de células-troncos no Brasil está sob ameaça na Justiça e pode ser desautorizada pelo Supremo Tribunal Federal. O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, entrou ontem no STF com uma ação direta de inconstitucionalidade contra dispositivo da Lei de Biossegurança que permite o uso de células-tronco retiradas de embriões humanos para fins de pesquisa e terapia. Católico fervoroso e franciscano devotado, Cláudio Fonteles é contra o uso da célula-tronco por que, durante as pesquisas, o embrião de onde o material é retirado acaba sendo destruído. Ele já havia se posicionado no Supremo contra a autorização judicial de aborto de bebês anencéfalos — sem a formação completa do cérebro.
Questionado sobre se sua ação não teria motivação religiosa, o franciscano Fonteles acusou a geneticista, professora e cientista Mayana Zatz de viés judaico. Fonteles disse ao jornal Folha de S. Paulo: “A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar”.
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2 Comments
Acho deplorável como a religião tem se intrometido na política. No Brasil, desde a proclamação da república Estado e Igreja não estão mais juntos. Portanto, não se deveria usar argumentação religiosa para se defender uma posição.
Vemos que isto é irresponsável, pois leva a um choque entre as várias religiões que temos no país, como pode ser visto na reportagem.
Concordo que a pesquisa deve ser feita com cautela, mas por motivos científicos e éticos.
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Fonteles, esse mané… E daí se a Mayana Zatz é judia? Ela não tem q necessariamente seguir os preceitos da religião judaica só por ser judia. Provavelmente, ele também é anti-semita, já que católico carola. Fui aluno desse cara quando fiz direito aqui em Brasília. Um chato. Deve achar que esse povo, o judeu, é um perigo, já q “ajudou a matar” Jesus, esse bem-sucedido esquizofrênico saído do deserto, numa região pródiga em loucos saídos dele. Fonteles está sempre nessas causas de interesse da Igreja, e nem precisa aparecer com um padreco ao lado, como outro carola, Ives Gandra Martins, o advogado tributarista, sempre faz. Pois Fonteles é o próprio padreco…
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