O Gerúndio foi demitido!

Não sei se vocês souberam, mas o pobre do gerúndio foi demitido do Distrito Federal. Isso mesmo, sumariamente demitido. O governador José Roberto Arruda decidiu, por decreto, publicado no Diário oficial.
Leiam o texto na íntegra.

“Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007. Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências. O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
Art. 1º – Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2º – Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3º – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º – Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 28 de setembro de 2007.
119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA”

O gerúndio, por ser ineficiente, dançou. E as pessoas ineficientes que usavam o pobre do gerúndio como máscara para sua incompetência, continuam lá. E não só elas, né?
No Distrito Federal, lugar ineficiente e corrupto, há tempo para fazer decretos estúpidos como esse. Mas não há tempo para cassar ou fazer decretos que de fato sejam úteis ou beneficiem a população.
Que vergonha.

4 comentários em “O Gerúndio foi demitido!”

  1. bizarro né…
    não acho que vá funcionar…
    não só porque é uma lei idiota que não vai “pegar”, mas também porque é difícil pras pessoas abandonarem hábitos como esse.
    Mesmo assim acho que é uma algo válido, embora muito besta, porque deixa em evidência o uso indevido do gerúndio e talvez com o tempo as pessoas deixem de usá-lo de forma inadequada.

  2. A DEMISSÃO DO GERÚNDIO – CARTA DO PRÓPRIO GERÚNDIO

    “Querido Editor do UOL Tablóide:

    Estou escrevendo para estar demonstrando a minha indignação com a minha demissão do Distrito Federal. Vou estar continuando meu trabalho em prol da comunicação, da língua portuguesa e dos alunos que estão tendo que escrever uma redação de 1.600 palavras e vão estando sem idéias para tanto texto e precisando de ajudar para estar concluindo a redação, mas acabei perdendo este emprego.

    Fui demitido, amigo Editor, por decreto. Segundo meu ex-patrão, eu estaria significando a falta de conclusão dos trabalhos. Ou seja: os assessores de meu ex-patrão estariam sempre “fazendo, providenciando, estudando, preparando, encaminhando”, mas nunca concluindo. Aí, em vez de estar demitindo os assessores, o demitido fui eu.

    Querido Editor do UOL Tablóide: estou tendo a impressão errada ou a lógica do meu ex-patrão não está sendo lá muito lógica?

    Sempre seu,

    Gerúndio”

    Fonte: http://editordouoltabloide.blog.uol.com.br/ 04/10/07

  3. A DEMISSÃO DO GERÚNDIO – CARTA DO INFINITIVO

    “Querido Editor do UOL Tablóide:

    Estou a escrever para demonstrar minha indignação com a minha demissão do nosso Gerúndio do Distrito Federal. Uma forma nominal como esta, que sempre esteve a trabalhar, a fazer, a criar em prol da comunicação e da língua portuguesa, não deveria estar nesta situação. Alguém que só fez batalhar, progredir, ajudar, crescer.

    Ao examinar, amigo Editor, esta demissão, fica a pensar que culpar alguém talvez seja não encarar a razão dos problemas, mas procurar a saída mais fácil e inventar um bode expiatório. No caso, nosso amigo Gerúndio.

    Estou a sentir que é hora de agir, amigo Editor. De xingar, reclamar, protestar, barafustar, gritar, puar, vociferar, agitar, tentar reverter. Enfim, botar pra quebrar.

    Do seu amigo,

    Infinitivo”

  4. isso me lembra nossa professora de “introdução aos estudos da educação” que, de tanto usar o gerúndio, deixou escapar um “a gente vai TÁ TANDO…”.

    dá um tempo né….

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